Uma análise publicada pelo Estadão colocou novamente em evidência uma questão que chama atenção no caso Tech Office: quase quatro anos após o assassinato do empresário João Bosco, ocorrido em agosto de 2022, a investigação passou a ser conduzida no Supremo Tribunal Federal justamente pelo ministro Flávio Dino, que à época era candidato ao Senado pelo Maranhão e aparecia em registros de campanha ao lado de personagens que posteriormente seriam citados nas apurações. A relatoria de Dino no caso foi noticiada como parte de uma investigação que deixou o âmbito estadual e chegou ao STF.
Para entender os novos desdobramentos, é preciso voltar a agosto de 2022. João Bosco foi assassinado no edifício Tech Office, em São Luís. O autor confesso, Gilbson Cutrim, acabou condenado pelo homicídio. Durante as investigações, porém, surgiram versões e depoimentos que ampliaram o caso para além da autoria material do crime.
Naquele período, João Bosco também participou de programas eleitorais de Flávio Dino como apoiador. O então candidato fazia campanha pelo Senado enquanto o Maranhão vivia uma disputa eleitoral marcada pela sucessão estadual.
O caso voltou a ganhar força anos depois, quando novas informações passaram a apontar para possíveis conexões políticas e tentativas de interferência na investigação. Segundo apurações divulgadas pela imprensa, inclusive o Blog segunda Opinião, a Polícia Federal passou a investigar, entre outros pontos, suspeitas relacionadas à proteção de pessoas ligadas ao grupo político que comandava o Estado.
No fim de 2025 e ao longo de 2026, o caso avançou para o STF. Dino passou a ser relator das investigações e apontou, em decisões, possíveis irregularidades e risco de interferência nas apurações.
Agora, nesta segunda-feira (17), veio uma das medidas mais contundentes: Dino determinou o afastamento cautelar de Daniel Itapary Brandão da presidência e das funções de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão por 180 dias. A decisão foi solicitada pela Polícia Federal e está relacionada às suspeitas investigadas no caso.
É justamente essa sequência de acontecimentos que coloca novas perguntas no centro do debate: como um homicídio ocorrido em 2022, inicialmente tratado na esfera estadual, acabou chegando ao STF quase quatro anos depois? Por que Flávio Dino, personagem da política maranhense naquele momento e hoje ministro da Corte, passou a conduzir a investigação? E o que as novas provas e depoimentos acrescentaram ao caso original?
