Brandão nega acusações, aponta contradição em depoimento e cobra provas

O governador Carlos Brandão (MDB) reagiu às acusações atribuídas a Gilbson Cutrim e afirmou que são “mentirosas” as declarações de que teria recebido dinheiro levado ao Palácio dos Leões. Gilbson, condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato de João Bosco, em 2022, prestou depoimento à Polícia Federal.

Brandão afirma que nunca manteve relação com Gilbson e que jamais o recebeu no Palácio ou em qualquer outro lugar. “Não há sequer uma prova de todas essas inverdades que estão sendo ditas”, declarou.

O governador também apontou o que considera uma inconsistência no relato. Segundo ele, a vaga número 6 do estacionamento do Palácio, mencionada por Gilbson, está ocupada há seis anos por um gerador. Brandão divulgou uma imagem do equipamento.

A defesa do governador sustenta ainda que não teve acesso à íntegra da investigação. Brandão também questiona a competência do Supremo Tribunal Federal para supervisionar as apurações e afirma estar preparado para defender sua “dignidade” e trajetória.

Outro ponto da investigação

A reação de Brandão ocorre no momento em que outro episódio envolvendo as investigações no Maranhão também ganha repercussão.

Segundo a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, um relatório de inteligência da própria Polícia Federal não apontou indícios de que o blogueiro Luís Pablo tenha cometido violação de sigilo funcional.

O documento, que serviu de base para diligências autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, teria diferenciado a atuação do jornalista da conduta atribuída à sua fonte, o ex-secretário Raimundo Cutrim, ressaltando a proteção constitucional à liberdade de imprensa.

Posteriormente, Moraes autorizou novas diligências ao apontar “indícios relevantes” de possível perseguição contra o ministro Flávio Dino, crime distinto da violação de sigilo funcional.

Os novos elementos não encerram as investigações nem afastam outras hipóteses que possam estar sob apuração. Mas reforçam uma questão essencial em casos de tamanha repercussão política: acusações precisam ser confrontadas com provas, e versões, por mais graves que sejam, não podem ser tratadas como fatos antes da conclusão das investigações.

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